Santa Rita DF
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
ATENÇÃO
DIA 12/08 ESTAREMOS DE VOLTA COM O CURSO BÍBLICO MINISTRADO PELO WILLIAN, LOGO APÓS A MISSA DAS 20HS, NA PARÓQUIA SANTA RITA DE CÁSSIA.
quinta-feira, 14 de julho de 2011
Artigo enviado pelo Pe. Valmir
Saiu o semeador a semear... - Ildo Bohn Gass
Conforme a estrutura do evangelho segundo Mateus, os capítulos 11 e 12 descrevem a prática libertadora de Jesus de Nazaré, a partir da qual “os cegos vêem e os coxos andam, os leprosos ficam limpos e os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e os pobres são evangelizados” (Mt 11,5). Essa prática provocou a oposição de autoridades que tentaram desacreditar Jesus e buscar uma forma de “levá-lo à morte” (Mt 12,1-2.14.24). No capítulo 13, Jesus ilustra essa prática com parábolas, cuja mensagem principal é revelar a força do Reino agindo como semente que fecunda a vida em meio a projetos em conflito. Parábolas são narrativas alegóricas, figuradas, e querem transmitir uma mensagem indireta através de comparações. Busquemos, pois, o sentido dessas figuras na parábola do semeador.
De um lado, o Reino é dom de Deus e não depende só de nossos esforços. A semente, a sua Palavra de vida, é lançada pelo próprio Deus. A ação do Espírito é como a energia do vento que sopra em todas as partes (Jo 3,8). É como a semente que germina por si só (Mc 4,26-29). E ainda, a força do Reino é comparável com a energia da semente de mostarda que, sendo “a menor de todas as sementes, cresce e se torna maior que todas as outras hortaliças” (Mt 13,32). Portanto, fazer parte da comunidade de Jesus é acreditar nessa graça de Deus que age em e através de nós.
De outra parte, acreditar nessa graça de Deus atuante em nós é uma postura de fé, que depende do nosso compromisso com o projeto de Jesus, enquanto o seguimos pelo caminho da justiça do Reino (Mt 6,33). Os frutos do Reino não dependem somente do dom de Deus, mas derivam também de nossa espiritualidade. A força do Espírito é como a chuva que desce das nuvens. Se ela cai no asfalto, ali dificilmente fará germinar vida. No entanto, se ela cair sobre a terra, tornando-a fecunda, fará brotar a vida de múltiplas formas. Para ouvir a voz do vento (Jo 3,8), para ouvir a voz do pastor e abrir a porta (Jo 10,3-4; Ap 3,20) é preciso fazer silêncio para entrar em sintonia com Deus. É a mais sublime forma de oração.
Seremos como a terra da beira do caminho quando ouvimos a palavra do Reino, mas não a compreendemos, pois logo vem o maligno e arranca a palavra semeada (Mt 13,4.19). O maligno é toda força inimiga da vida, adversária de Deus e que nos seduz, afastando-nos do caminho de Deus para colocar-nos sob a escravidão da riqueza (Mt 6,24). Como exemplos de coisas que impedem a compreensão do projeto de Deus e tentam afastar-nos do seu caminho, citemos o espírito do consumismo, do prestígio, do poder, que tenta fazer de nós pessoas alienadas, dirigidas por forças externas, impedindo a ação do Espírito divino que nos torna livres, uma vez que “o Senhor é o Espírito, e onde está o Espírito do Senhor, aí está a liberdade” (2Cor 3,17).
Seremos como o terreno cheio de pedras (Mt 13,5-6.20-21), se ouvimos a palavra com alegria, mas logo desistimos por medo da tribulação e da perseguição de quem não quer aceitar o projeto da justiça do Reino para todas as pessoas. Nesse caso, não passamos de fogo de palha.
Seremos como o terreno entre espinhos (Mt 13,7.22), quando ouvimos a palavra, mas deixamos nos dominar pelas preocupações do mundo, pela ilusão da riqueza, por outros desejos egoístas, como o luxo, a vida fácil. Dessa forma, a palavra da boa semente não tem como produzir frutos, pois nos apegamos a falsas seguranças.
Por fim, seremos terra boa (Mt 13,8.23) quando ouvimos a palavra e a acolhemos, isto é, nos comprometemos com o projeto de Jesus. A semente germina, cresce e frutifica somente se receber a chuva do alto e se for acolhida em terra boa cá embaixo. A chuva do alto é graça, é dom. Mas acolher a semente para que dê frutos, isso está em nossas mãos.
Conforme a estrutura do evangelho segundo Mateus, os capítulos 11 e 12 descrevem a prática libertadora de Jesus de Nazaré, a partir da qual “os cegos vêem e os coxos andam, os leprosos ficam limpos e os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e os pobres são evangelizados” (Mt 11,5). Essa prática provocou a oposição de autoridades que tentaram desacreditar Jesus e buscar uma forma de “levá-lo à morte” (Mt 12,1-2.14.24). No capítulo 13, Jesus ilustra essa prática com parábolas, cuja mensagem principal é revelar a força do Reino agindo como semente que fecunda a vida em meio a projetos em conflito. Parábolas são narrativas alegóricas, figuradas, e querem transmitir uma mensagem indireta através de comparações. Busquemos, pois, o sentido dessas figuras na parábola do semeador.
De um lado, o Reino é dom de Deus e não depende só de nossos esforços. A semente, a sua Palavra de vida, é lançada pelo próprio Deus. A ação do Espírito é como a energia do vento que sopra em todas as partes (Jo 3,8). É como a semente que germina por si só (Mc 4,26-29). E ainda, a força do Reino é comparável com a energia da semente de mostarda que, sendo “a menor de todas as sementes, cresce e se torna maior que todas as outras hortaliças” (Mt 13,32). Portanto, fazer parte da comunidade de Jesus é acreditar nessa graça de Deus que age em e através de nós.
De outra parte, acreditar nessa graça de Deus atuante em nós é uma postura de fé, que depende do nosso compromisso com o projeto de Jesus, enquanto o seguimos pelo caminho da justiça do Reino (Mt 6,33). Os frutos do Reino não dependem somente do dom de Deus, mas derivam também de nossa espiritualidade. A força do Espírito é como a chuva que desce das nuvens. Se ela cai no asfalto, ali dificilmente fará germinar vida. No entanto, se ela cair sobre a terra, tornando-a fecunda, fará brotar a vida de múltiplas formas. Para ouvir a voz do vento (Jo 3,8), para ouvir a voz do pastor e abrir a porta (Jo 10,3-4; Ap 3,20) é preciso fazer silêncio para entrar em sintonia com Deus. É a mais sublime forma de oração.
Seremos como a terra da beira do caminho quando ouvimos a palavra do Reino, mas não a compreendemos, pois logo vem o maligno e arranca a palavra semeada (Mt 13,4.19). O maligno é toda força inimiga da vida, adversária de Deus e que nos seduz, afastando-nos do caminho de Deus para colocar-nos sob a escravidão da riqueza (Mt 6,24). Como exemplos de coisas que impedem a compreensão do projeto de Deus e tentam afastar-nos do seu caminho, citemos o espírito do consumismo, do prestígio, do poder, que tenta fazer de nós pessoas alienadas, dirigidas por forças externas, impedindo a ação do Espírito divino que nos torna livres, uma vez que “o Senhor é o Espírito, e onde está o Espírito do Senhor, aí está a liberdade” (2Cor 3,17).
Seremos como o terreno cheio de pedras (Mt 13,5-6.20-21), se ouvimos a palavra com alegria, mas logo desistimos por medo da tribulação e da perseguição de quem não quer aceitar o projeto da justiça do Reino para todas as pessoas. Nesse caso, não passamos de fogo de palha.
Seremos como o terreno entre espinhos (Mt 13,7.22), quando ouvimos a palavra, mas deixamos nos dominar pelas preocupações do mundo, pela ilusão da riqueza, por outros desejos egoístas, como o luxo, a vida fácil. Dessa forma, a palavra da boa semente não tem como produzir frutos, pois nos apegamos a falsas seguranças.
Por fim, seremos terra boa (Mt 13,8.23) quando ouvimos a palavra e a acolhemos, isto é, nos comprometemos com o projeto de Jesus. A semente germina, cresce e frutifica somente se receber a chuva do alto e se for acolhida em terra boa cá embaixo. A chuva do alto é graça, é dom. Mas acolher a semente para que dê frutos, isso está em nossas mãos.
domingo, 10 de julho de 2011
O pálio episcopal: insígnia de serviço à unidade eclesial
O dia 29 de Junho, Solenidade dos Apóstolos Pedro e Paulo, é a data em que o Papa entrega o pálio aos novos arcebispos nomeados durante o último ano. O pálio, assim como o anel, a mitra ou o báculo, forma parte das insígnias que distinguem o bispo enquanto pastor das almas a ele confiadas numa igreja particular.
A missão do bispo está intimamente relacionada com a salvação que deve acontecer e realizar-se em cada um de nós. Nesse sentido, a transmissão do Evangelho se fez de duas formas: oralmente pelos Apóstolos, que transmitiram aquilo que tinham recebido de Cristo e o que tinham aprendido por inspiração do Espírito Santo; e por escrito, por aqueles apóstolos e varões apostólicos que, sob a inspiração também do Espírito, escreveram a mensagem da salvação.
Uma vez que os primeiros apóstolos e discípulos de Cristo iam morrendo, para que o Evangelho fosse conservado íntegro e vivo na Igreja pelos séculos dos séculos, os Apóstolos deixaram os bispos como seus sucessores. Eles receberam o próprio ofício de mestres da parte dos apóstolos. Só desse modo a pregação apostólica se conserva devido à sucessão ininterrupta até à consumação dos tempos.
Esta transmissão viva é aquilo que chamamos de Tradição e é por meio dela que a Igreja peregrina mantém a sua unidade através dos laços visíveis da comunhão, a saber: a profissão duma só fé recebida dos Apóstolos; a celebração comum do culto divino, sobretudo dos sacramentos; e a sucessão apostólica pelo sacramento da Ordem.
São Paulo, em 2 Cor 5,20-21, sublinha e esclarece a função ‘vicária’ (aquele que faz as funções de) do ministério apostólico, assim como o seu caráter missionário. O teólogo Ratzinger o explica muito bem quando diz que esta autoridade do apóstolo deriva de Deus e consiste na expropriação do 'eu', isto é, em falar não em nome próprio. É pela sucessão apostólica que o Espírito Santo introduz alguns no ministério do sacerdócio.
O ministério dos presbíteros e dos bispos é, por sua natureza espiritual, idêntico ao dos apóstolos, mas se distingue em que aqueles são sucessores. O conteúdo do cargo apostólico e sacerdotal resume-se na palavra “apascentai”, ficando desse modo definido a partir da imagem do pastor. São Pedro define a Jesus Cristo como “pastor e bispo (epíscopos) de vossas almas” (1Pd 2,25), significando com isso que Cristo vê o homem na perspectiva de Deus, tem uma visão de conjunto, vê tanto os perigos como as esperanças e as possibilidades, vê a essência e o homem interior. Desse modo, Jesus é o protótipo de todos os ministérios episcopais e sacerdotais. Ser bispo significa assumir a posição de Cristo para que os homens encontrem a vida.
É neste conexto onde conseguimos compreender o sentido do pálio como insígnia episcopal, ou seja, como sinal distintivo que representa de modo concreto o primeiro grau da Ordem sacerdotal (o episcopado), o poder como serviço, a jurisdição, a prudência, o amor e a fidelidade do bispo à Igreja que lhe foi confiada. O pálio consiste numa faixa de lã branca de ovelha com seis cruces negras que o Papa e os arcebispos usam segundo uma tradição antiga. O arcebispo recebe-o das mãos do Romano Pontífice e o leva sobre si dentro do território da sua jurisdição nas cerimônias litúrgicas.
Na festa de Santa Inês (21 de janeiro), o Santo Padre faz a tradicional benção de dois cordeiros, cuja lã é usada para tecer os pálios dos novos arcebispos metropolitanos. A tradição da preparação dos cordeiros teve início em 1884. Todos os anos os dois cordeiros são levados para as freiras da Sagrada Família de Nazaré, que são responsáveis por esse trabalho, no seu convento de Roma.
O papa Bento XVI explicou numa ocasião que “o pálio é imposto sobre os Arcebispos Metropolitanos como símbolo da sua comunhão hierárquica com o Sucessor de Pedro no governo do povo de Deus. Ele é confeccionado com lã de ovelha, em representação de Jesus Cristo, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo e o Bom Pastor que vela cautelosamente sobre o seu rebanho. O pálio recorda aos Bispos que, como Vigários de Cristo nas respectivas Igrejas locais, são chamados a ser Pastores a exemplo de Jesus. Ele nos indica o Bom Pastor, que carrega nos seus ombros a pequena ovelha perdida e dá a vida pelo seu rebanho.”
Por Diácono Marcos Sabater
Paróquia Santa Maria dos Pobres
Jornalista (Rádio Maria e Arquidiocese de Brasília)
O dia 29 de Junho, Solenidade dos Apóstolos Pedro e Paulo, é a data em que o Papa entrega o pálio aos novos arcebispos nomeados durante o último ano. O pálio, assim como o anel, a mitra ou o báculo, forma parte das insígnias que distinguem o bispo enquanto pastor das almas a ele confiadas numa igreja particular.
A missão do bispo está intimamente relacionada com a salvação que deve acontecer e realizar-se em cada um de nós. Nesse sentido, a transmissão do Evangelho se fez de duas formas: oralmente pelos Apóstolos, que transmitiram aquilo que tinham recebido de Cristo e o que tinham aprendido por inspiração do Espírito Santo; e por escrito, por aqueles apóstolos e varões apostólicos que, sob a inspiração também do Espírito, escreveram a mensagem da salvação.
Uma vez que os primeiros apóstolos e discípulos de Cristo iam morrendo, para que o Evangelho fosse conservado íntegro e vivo na Igreja pelos séculos dos séculos, os Apóstolos deixaram os bispos como seus sucessores. Eles receberam o próprio ofício de mestres da parte dos apóstolos. Só desse modo a pregação apostólica se conserva devido à sucessão ininterrupta até à consumação dos tempos.
Esta transmissão viva é aquilo que chamamos de Tradição e é por meio dela que a Igreja peregrina mantém a sua unidade através dos laços visíveis da comunhão, a saber: a profissão duma só fé recebida dos Apóstolos; a celebração comum do culto divino, sobretudo dos sacramentos; e a sucessão apostólica pelo sacramento da Ordem.
São Paulo, em 2 Cor 5,20-21, sublinha e esclarece a função ‘vicária’ (aquele que faz as funções de) do ministério apostólico, assim como o seu caráter missionário. O teólogo Ratzinger o explica muito bem quando diz que esta autoridade do apóstolo deriva de Deus e consiste na expropriação do 'eu', isto é, em falar não em nome próprio. É pela sucessão apostólica que o Espírito Santo introduz alguns no ministério do sacerdócio.
O ministério dos presbíteros e dos bispos é, por sua natureza espiritual, idêntico ao dos apóstolos, mas se distingue em que aqueles são sucessores. O conteúdo do cargo apostólico e sacerdotal resume-se na palavra “apascentai”, ficando desse modo definido a partir da imagem do pastor. São Pedro define a Jesus Cristo como “pastor e bispo (epíscopos) de vossas almas” (1Pd 2,25), significando com isso que Cristo vê o homem na perspectiva de Deus, tem uma visão de conjunto, vê tanto os perigos como as esperanças e as possibilidades, vê a essência e o homem interior. Desse modo, Jesus é o protótipo de todos os ministérios episcopais e sacerdotais. Ser bispo significa assumir a posição de Cristo para que os homens encontrem a vida.
É neste conexto onde conseguimos compreender o sentido do pálio como insígnia episcopal, ou seja, como sinal distintivo que representa de modo concreto o primeiro grau da Ordem sacerdotal (o episcopado), o poder como serviço, a jurisdição, a prudência, o amor e a fidelidade do bispo à Igreja que lhe foi confiada. O pálio consiste numa faixa de lã branca de ovelha com seis cruces negras que o Papa e os arcebispos usam segundo uma tradição antiga. O arcebispo recebe-o das mãos do Romano Pontífice e o leva sobre si dentro do território da sua jurisdição nas cerimônias litúrgicas.
Na festa de Santa Inês (21 de janeiro), o Santo Padre faz a tradicional benção de dois cordeiros, cuja lã é usada para tecer os pálios dos novos arcebispos metropolitanos. A tradição da preparação dos cordeiros teve início em 1884. Todos os anos os dois cordeiros são levados para as freiras da Sagrada Família de Nazaré, que são responsáveis por esse trabalho, no seu convento de Roma.
O papa Bento XVI explicou numa ocasião que “o pálio é imposto sobre os Arcebispos Metropolitanos como símbolo da sua comunhão hierárquica com o Sucessor de Pedro no governo do povo de Deus. Ele é confeccionado com lã de ovelha, em representação de Jesus Cristo, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo e o Bom Pastor que vela cautelosamente sobre o seu rebanho. O pálio recorda aos Bispos que, como Vigários de Cristo nas respectivas Igrejas locais, são chamados a ser Pastores a exemplo de Jesus. Ele nos indica o Bom Pastor, que carrega nos seus ombros a pequena ovelha perdida e dá a vida pelo seu rebanho.”
Por Diácono Marcos Sabater
Paróquia Santa Maria dos Pobres
Jornalista (Rádio Maria e Arquidiocese de Brasília)
sexta-feira, 24 de junho de 2011
Artigo enviado pelo Pe. Valmir
Strauss-Kahn: uma metáfora das práticas do FMI - Leonardo Boff
Quinta-feira, 16 de junho de 2011 - 14h31min
por Leonardo Boff, Teólogo/Filósofo
O leitor ou leitora pensará que foi uma tragédia o fato de o Diretor-gerente do FMI, Strauss-Kahn, ter dado asas ao seu vício, a obsessiva busca por sexo perverso, nu, correndo atrás de uma camareira negra na suite 2806 do hotel Sofitel em Nova York, até agarrá-la e forçá-la a praticar sexo, com detalhes que a Promotoria de Nova York, descreve em detalhes e que, por decência, me dispenso de dizer. Para ele não era uma tragédia. Era uma vítima a mais, entre outras, que fez pelo mundo afora. Vestiu-se e foi direto para o aeroporto. O cômico foi que, imbecil, esqueceu o celular na suite e assim pôde ser preso pela polícia ainda dentro do avião.
A tragédia ocorreu não com ele, mas com a vítima que ninguém se interessa em saber. Seu nome é Nafissatou Diallo, da Guiné, africana, muçulmana, viúva e mãe de uma filha de 15 anos. A polícia encontrou-a escondida atrás de um armário, chorando e vomitando, traumatizada pela violência sofrida pelo hóspede da suite, cujo nome sequer conhecia. A maior parte da imprensa francesa, com cinismo e indisfarçável machismo, procurou esconder o fato, alegando até uma possível armadilha contra o futuro candidato socialista à Presidência da República. O ex-ministro da cultura e educação, Jacques Lang, de quem se poderia esperar algum esprit de finesse, com desprezo, afirmou:"Afinal não morreu ninguém". Que deixe uma mulher psicologicamente destruida pela brutalidade do Mr. Strauss-Kahn não conta muito. Finalmente, para essa gente, se trata apenas de uma mulher e africana. Mulher conta alguma coisa para este tipo de mentalidade atrasada, senão para ser mero "objeto de cama e mesa"?
Para sermos justos, temos que ver este fato a partir do olhar da vítima. Ai dimensionamos seu sofrimento e a humilhação de tantas mulheres no mundo que são sequestradas, violadas e vendidas como escravas do sexo. Só uma sociedade que perdeu todo o sentido de dignidade e se brutalizou pela predominância de uma concepção materialista de vida que faz tudo ser objeto e mercadoria, pode possibilitar tal prática. Hoje, tudo virou mercadoria e ocasião de ganho desde o bens comuns da humanidade, privatizados (commons como água, solos, sementes), até órgãos humanos, crianças e mulheres prostituidas. Se Marx visse esta situação ficaria seguramente escandalizado, pois para ele o capital vive da exploração da força de trabalho mas não da venda de vidas. No entanto, já em 1847 na Miséria da Filosofia intuía:
"Chegou, enfim, um tempo em que tudo o que os homens haviam considerado inalieável se tornou objeto de troca, de tráfico e podia alienar-se. O tempo em que as próprias coisas que até então eram comunicadas, mas jamais trocadas, dadas, mas jamais vendidas: adquiridas mas jamais compradas como a virtude, o amor, a opinião, a ciência e a consciência, em que tudo passou para o comércio. Reina o tempo da corrupção geral e da venalidade universal....em que tudo é levado ao mercado".
Strauss-Kahn é uma metáfora do atual sistema neoliberal. Suga o sangue dos paises em crise como a Islândia, a Irlanda, a Grécia, Portugal e agora a Espanha como fizera antes com o Brasil e os paises da América Latina e da Asia. Para salvar os bancos e obrigar a saldar as dívidas, arrasam a sociedade, desempregam, privatizam bens públicos, diminuem salários, aumentam os anos para as aposentadorias, fazem trabalhar mais horas. Só por causa do capital. O articulador destas políticas mundiais, entre outros, é o FMI, do qual Strauss-Kahn era a figura central.
O que ele fez com Nafissatou Diallo é uma metáfora daquilo que estava fazendo com os paises em dificuldades financeiras. Mereceria cadeia não só pela violência sexual contra a camareira mas muito mais pelo estupro econômico ao povo, que ele articulava a partir do FMI. Estamos desolados.
Leonardo Boff, Teólogo/Filósofo
Quinta-feira, 16 de junho de 2011 - 14h31min
por Leonardo Boff, Teólogo/Filósofo
O leitor ou leitora pensará que foi uma tragédia o fato de o Diretor-gerente do FMI, Strauss-Kahn, ter dado asas ao seu vício, a obsessiva busca por sexo perverso, nu, correndo atrás de uma camareira negra na suite 2806 do hotel Sofitel em Nova York, até agarrá-la e forçá-la a praticar sexo, com detalhes que a Promotoria de Nova York, descreve em detalhes e que, por decência, me dispenso de dizer. Para ele não era uma tragédia. Era uma vítima a mais, entre outras, que fez pelo mundo afora. Vestiu-se e foi direto para o aeroporto. O cômico foi que, imbecil, esqueceu o celular na suite e assim pôde ser preso pela polícia ainda dentro do avião.
A tragédia ocorreu não com ele, mas com a vítima que ninguém se interessa em saber. Seu nome é Nafissatou Diallo, da Guiné, africana, muçulmana, viúva e mãe de uma filha de 15 anos. A polícia encontrou-a escondida atrás de um armário, chorando e vomitando, traumatizada pela violência sofrida pelo hóspede da suite, cujo nome sequer conhecia. A maior parte da imprensa francesa, com cinismo e indisfarçável machismo, procurou esconder o fato, alegando até uma possível armadilha contra o futuro candidato socialista à Presidência da República. O ex-ministro da cultura e educação, Jacques Lang, de quem se poderia esperar algum esprit de finesse, com desprezo, afirmou:"Afinal não morreu ninguém". Que deixe uma mulher psicologicamente destruida pela brutalidade do Mr. Strauss-Kahn não conta muito. Finalmente, para essa gente, se trata apenas de uma mulher e africana. Mulher conta alguma coisa para este tipo de mentalidade atrasada, senão para ser mero "objeto de cama e mesa"?
Para sermos justos, temos que ver este fato a partir do olhar da vítima. Ai dimensionamos seu sofrimento e a humilhação de tantas mulheres no mundo que são sequestradas, violadas e vendidas como escravas do sexo. Só uma sociedade que perdeu todo o sentido de dignidade e se brutalizou pela predominância de uma concepção materialista de vida que faz tudo ser objeto e mercadoria, pode possibilitar tal prática. Hoje, tudo virou mercadoria e ocasião de ganho desde o bens comuns da humanidade, privatizados (commons como água, solos, sementes), até órgãos humanos, crianças e mulheres prostituidas. Se Marx visse esta situação ficaria seguramente escandalizado, pois para ele o capital vive da exploração da força de trabalho mas não da venda de vidas. No entanto, já em 1847 na Miséria da Filosofia intuía:
"Chegou, enfim, um tempo em que tudo o que os homens haviam considerado inalieável se tornou objeto de troca, de tráfico e podia alienar-se. O tempo em que as próprias coisas que até então eram comunicadas, mas jamais trocadas, dadas, mas jamais vendidas: adquiridas mas jamais compradas como a virtude, o amor, a opinião, a ciência e a consciência, em que tudo passou para o comércio. Reina o tempo da corrupção geral e da venalidade universal....em que tudo é levado ao mercado".
Strauss-Kahn é uma metáfora do atual sistema neoliberal. Suga o sangue dos paises em crise como a Islândia, a Irlanda, a Grécia, Portugal e agora a Espanha como fizera antes com o Brasil e os paises da América Latina e da Asia. Para salvar os bancos e obrigar a saldar as dívidas, arrasam a sociedade, desempregam, privatizam bens públicos, diminuem salários, aumentam os anos para as aposentadorias, fazem trabalhar mais horas. Só por causa do capital. O articulador destas políticas mundiais, entre outros, é o FMI, do qual Strauss-Kahn era a figura central.
O que ele fez com Nafissatou Diallo é uma metáfora daquilo que estava fazendo com os paises em dificuldades financeiras. Mereceria cadeia não só pela violência sexual contra a camareira mas muito mais pelo estupro econômico ao povo, que ele articulava a partir do FMI. Estamos desolados.
Leonardo Boff, Teólogo/Filósofo
segunda-feira, 20 de junho de 2011
POSSE DE DOM SÉRGIO
Arquidiocese agradece nomeação de Dom Sérgio
Nesta última quarta, 15/06, a Igreja de Brasília se reuniu na Catedral Metropolitana para celebrar a Missa em Ação de Graças pela nomeação de Dom Sérgio da Rocha, novo arcebispo de Brasília. Dom Waldemar Passini, administrador apostólico, presidiu a celebração.
“Hoje nosso coração exulta e diz, assim, como Cristo: ‘Pai, te dou graças’!”, afirmou. Dom Waldemar ressaltou que a Igreja de Cristo não é uma instituição meramente humana. Deus escolhe quem vai para a missão, não importando se tem qualificação ou experiência em determinada área.
O administrador apostólico ainda lembrou a convivência de dois anos que teve com Dom Sérgio. “Ele é uma pessoa rica em valores, humanidade, espiritualidade e disposição. Meu coração está repleto de alegria com o sim dele”, concluiu.
Dom Sérgio tomará posse como arcebispo de Brasília no dia 6 de agosto, em missa na Catedral Metropolitana de Brasília, às 9h da manhã.
Nesta última quarta, 15/06, a Igreja de Brasília se reuniu na Catedral Metropolitana para celebrar a Missa em Ação de Graças pela nomeação de Dom Sérgio da Rocha, novo arcebispo de Brasília. Dom Waldemar Passini, administrador apostólico, presidiu a celebração.
“Hoje nosso coração exulta e diz, assim, como Cristo: ‘Pai, te dou graças’!”, afirmou. Dom Waldemar ressaltou que a Igreja de Cristo não é uma instituição meramente humana. Deus escolhe quem vai para a missão, não importando se tem qualificação ou experiência em determinada área.
O administrador apostólico ainda lembrou a convivência de dois anos que teve com Dom Sérgio. “Ele é uma pessoa rica em valores, humanidade, espiritualidade e disposição. Meu coração está repleto de alegria com o sim dele”, concluiu.
Dom Sérgio tomará posse como arcebispo de Brasília no dia 6 de agosto, em missa na Catedral Metropolitana de Brasília, às 9h da manhã.
quarta-feira, 15 de junho de 2011
Brasilia tem novo Arcebispo
Dom Sergio da Rocha é o novo arcebispo eleito de Brasília
Foi anunciado na manhã desta quarta-feira, 15/06, o novo arcebispo da Arquidiocese de Brasília. Dom Sérgio da Rocha, 51 anos, era bispo de Teresina – PI desde março de 2007 e arcebispo Metropolitano em 03/09/2008. Seu lema episcopal é: "Omnia in Charitate" (1Cor 16,14) – “Em tudo, a caridade”.
Segundo padre Antonio Edimilson, chanceler da Cúria de Brasília, os trâmites do direito canônico é que o novo bispo apresente a bula que o nomeia como novo pastor da Arquidiocese, logo depois, marca-se uma reunião com o colégio de consultores sob a qual há a leitura deste decreto.
Em seu pronunciamento, hoje às 7h da manhã na Rádio Nova Aliança, o administrador apostólico, Dom Waldemar Passini anunciou que a data da posse será no dia 06 de agosto às 9 da manhã, dia da transfiguração do Senhor.
Em ação de graças, a Arquidiocese prepara uma missa que acontece hoje às 20h na Catedral de Brasília e será presidida pelo administrador apostólico Dom Waldemar Passini.
Biografia
Dom Sérgio nasceu em Dobrada - SP, em 21 de outubro de 1959. Foi ordenado presbítero na Matriz do Senhor Bom Jesus de Matão, em dezembro de 1984, e bispo em 11 de agosto de 2001, na Catedral de S. Carlos (SP). Estudou Filosofia no Seminário de São Carlos e Teologia na PUC de Campinas. Licenciado em Filosofia pela Faculdade Salesiana de Lorena, SP. Fez mestrado em Teologia Moral pela Faculdade Nossa Senhora Assunção - SP e obteve o doutorado na Academia Alfonsiana da Pontifícia Universidade Lateranense, em Roma.
Trabalhou no Seminário Diocesano de Filosofia, em São Carlos, como Diretor Espiritual, Professor de Filosofia e Reitor. No Seminário de Teologia de São Carlos, em Campinas, foi Diretor Espiritual e Reitor. Também foi professor e membro da Equipe de Formação dos Diáconos Permanentes de São Carlos - São Paulo. Exerceu também na Diocese de São Carlos as seguintes funções pastorais: Assessor da Pastoral da Juventude, Coordenador da Pastoral Vocacional, Coordenador da Escola de Agentes de Pastoral, Coordenador Diocesano de Pastoral, Pároco de Água Vermelha e de Santa Eudóxia, Vigário Paroquial das Paróquias Nossa Senhora de Fátima e Catedral e Reitor da Igreja São Judas Tadeu, em São Carlos.
Foi bispo Auxiliar de Fortaleza; Membro da Comissão Episcopal de Doutrina da CNBB; membro da Comissão Episcopal do Mutirão de Superação da Miséria e da Fome da CNBB; Secretário do Regional Nordeste I; Presidente do Departamento de Vocações e Ministérios do CELAM, membro da Comissão Episcopal para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada da CNBB e presidente do Regional Nordeste IV.
Informações:
Pe. André Lima - assessor de imprensa da Arquidiocese de Brasília
Patrícia Quinderé - jornalista
Maria Oliveira - secretária
61-3213-3345/3213-3346
www.arquidiocesedebrasilia.org.br
Foi anunciado na manhã desta quarta-feira, 15/06, o novo arcebispo da Arquidiocese de Brasília. Dom Sérgio da Rocha, 51 anos, era bispo de Teresina – PI desde março de 2007 e arcebispo Metropolitano em 03/09/2008. Seu lema episcopal é: "Omnia in Charitate" (1Cor 16,14) – “Em tudo, a caridade”.
Segundo padre Antonio Edimilson, chanceler da Cúria de Brasília, os trâmites do direito canônico é que o novo bispo apresente a bula que o nomeia como novo pastor da Arquidiocese, logo depois, marca-se uma reunião com o colégio de consultores sob a qual há a leitura deste decreto.
Em seu pronunciamento, hoje às 7h da manhã na Rádio Nova Aliança, o administrador apostólico, Dom Waldemar Passini anunciou que a data da posse será no dia 06 de agosto às 9 da manhã, dia da transfiguração do Senhor.
Em ação de graças, a Arquidiocese prepara uma missa que acontece hoje às 20h na Catedral de Brasília e será presidida pelo administrador apostólico Dom Waldemar Passini.
Biografia
Dom Sérgio nasceu em Dobrada - SP, em 21 de outubro de 1959. Foi ordenado presbítero na Matriz do Senhor Bom Jesus de Matão, em dezembro de 1984, e bispo em 11 de agosto de 2001, na Catedral de S. Carlos (SP). Estudou Filosofia no Seminário de São Carlos e Teologia na PUC de Campinas. Licenciado em Filosofia pela Faculdade Salesiana de Lorena, SP. Fez mestrado em Teologia Moral pela Faculdade Nossa Senhora Assunção - SP e obteve o doutorado na Academia Alfonsiana da Pontifícia Universidade Lateranense, em Roma.
Trabalhou no Seminário Diocesano de Filosofia, em São Carlos, como Diretor Espiritual, Professor de Filosofia e Reitor. No Seminário de Teologia de São Carlos, em Campinas, foi Diretor Espiritual e Reitor. Também foi professor e membro da Equipe de Formação dos Diáconos Permanentes de São Carlos - São Paulo. Exerceu também na Diocese de São Carlos as seguintes funções pastorais: Assessor da Pastoral da Juventude, Coordenador da Pastoral Vocacional, Coordenador da Escola de Agentes de Pastoral, Coordenador Diocesano de Pastoral, Pároco de Água Vermelha e de Santa Eudóxia, Vigário Paroquial das Paróquias Nossa Senhora de Fátima e Catedral e Reitor da Igreja São Judas Tadeu, em São Carlos.
Foi bispo Auxiliar de Fortaleza; Membro da Comissão Episcopal de Doutrina da CNBB; membro da Comissão Episcopal do Mutirão de Superação da Miséria e da Fome da CNBB; Secretário do Regional Nordeste I; Presidente do Departamento de Vocações e Ministérios do CELAM, membro da Comissão Episcopal para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada da CNBB e presidente do Regional Nordeste IV.
Informações:
Pe. André Lima - assessor de imprensa da Arquidiocese de Brasília
Patrícia Quinderé - jornalista
Maria Oliveira - secretária
61-3213-3345/3213-3346
www.arquidiocesedebrasilia.org.br
terça-feira, 14 de junho de 2011
Artigo enviado pelo Pe. Valmir
Será que Jesus vai voltar? Sobre a festa da Ascenção - Carlos Mesters e Francisco Orofino
A comunidade é o próprio Jesus continuando a missão que o Pai lhe deu: “Como o Pai me enviou, assim envio vocês!” (Jo 20,21). “Vocês são a carta de Cristo!” (2Cor 3,3). O que importa não é saber a hora da volta de Jesus no fim dos tempos, mas sim continuar anunciando a Boa Nova de Deus até que ele volte! A pequena comunidade deve ser Luz das Nações, realizando sua missão junto aos pequeninos e fazendo com que outras pessoas se tornem também discípulas de Jesus.
Extraído do livro Atos dos Apóslotos: Olhar no espelho das primeiras comunidades. Faça seu pedido: vendas@cebi.org.br
Por volta dos anos 80, muitas comunidades estavam cansadas e tinham uma certa impaciência. Elas se perguntavam: “Será que Jesus vai voltar?” Pois Jesus tinha prometido voltar logo, mas até aquele momento ainda não tinha vindo! Daí a pergunta: “Vem ou não vem?” É também a pergunta de muita gente hoje: quando vai ser o fim do mundo? Quando é que Jesus vai voltar?
Atos 1,7-8: A resposta de Jesus que vale até hoje
As últimas palavras de Jesus aqui na terra trazem a resposta que vai servir de rumo para os cristãos de todos os tempos. Também para nós! Jesus diz: Não cabe a vocês conhecer os tempos e as datas que o Pai reservou à sua própria autoridade! Mas o Espírito Santo descerá sobre vocês e dele receberão força para serem as minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria e até os extremos da terra! Em vez de querer penetrar no segredo de Deus, os cristãos devem deixar-se penetrar pelo Espírito de Deus para que possam ser testemunhas de Jesus. Em vez de ficar olhando para a volta de Jesus no fim dos tempos, a pessoa cristã deve estar atento à volta de Jesus através do Espírito no dia-a-dia da sua vida. O resto, a gente deve deixar por conta do Pai que tem a história em suas mãos.
Em outras palavras, a resposta que Lucas dá às comunidades dos anos 80 é esta: Jesus já voltou no dia de Pentecostes e, agora, ele está presente na comunidade! A comunidade é o próprio Jesus continuando a missão que o Pai lhe deu: “Como o Pai me enviou, assim envio vocês!” (Jo 20,21). “Vocês são a carta de Cristo!” (2Cor 3,3). O que importa não é saber a hora da volta de Jesus no fim dos tempos, mas sim continuar anunciando a Boa Nova de Deus até que ele volte!
Nesta resposta de Jesus, Lucas dá também o esquema do livro dos Atos: dar testemunho de Jesus em Jerusalém (At 2 a 7), em toda a Judéia e Samaria (At 8 a 15), até os confins do mundo (At 16-28).
Atos 1,9: Descrição da ascensão
Diz o texto: Jesus foi elevado à vista deles e uma nuvem o ocultou a seus olhos. Desta frase vem o que até hoje repetimos no Credo: “Subiu ao céu, onde está sentado à direita de Deus Pai”. A nuvem é um símbolo da presença de Deus. Ela acompanhava o povo no deserto, depois da saída do Egito (Ex 13,21-22; 40,36-38). E quando Salomão inaugurou o Templo, ela encheu o Santo dos Santos para significar que Deus tinha tomado posse (1Rs 8,10-13). Dizendo que uma nuvem ocultou Jesus aos olhos dos discípulos e das discípulas, Lucas afirma que Jesus entrou no mundo de Deus para poder estar sempre conosco. De junto de Deus, ele nos envia o dom do Espírito Santo, a cada momento. Por isso, podemos dizer e gritar durante as nossas celebrações: Ele está no meio de nós!
Atos 1,10-11: O recado dos mensageiros
Depois que Jesus desapareceu, os discípulos e as discípulas ficaram aí, parados, olhando para o céu. Era o que, no tempo de Lucas, muita gente fazia. Ficavam olhando para o céu, esperando a volta de Jesus, e esqueciam de cumprir aqui na terra seu dever de serem testemunhas de Jesus (2Ts 3,11-12).
Neste momento, aparecem dois homens vestidos de branco. São mensageiros que transmitem ou esclarecem a mensagem de Deus que existe dentro dos fatos. Quando alguém faz isto, dizemos que ele ou ela é um anjo ou uma anja de Deus. A palavra anjo significa mensageiro. Os dois dão um recado que deve animar a caminhada das comunidades: “Tão certo como Jesus subiu para o céu e agora se encontra junto de Deus, tão certo ele voltará e se manifestará de novo, do mesmo modo como vocês o viram partir aqui”. Com esta certeza no coração, os cristãos devem continuar o anúncio da Boa Nova, sem se preocupar com a data e a hora da volta de Jesus (At 1,7; Mc 13,32).
Assim, Lucas adverte as comunidades dos anos 80 (e também as nossas de hoje), para que a demasiada preocupação com a vinda gloriosa de Jesus no fim dos tempos não as impeça de perceber que Jesus já estava aí no meio delas. Esta nova volta invisível mas real de Jesus se deu no dia de Pentecostes e nos muitos outros pentecostes que seguiram depois, até hoje: na Palavra, na Eucaristia, na Comunidade, nos acontecimentos, de tantas maneiras! É preciso ter o olhar de fé para poder percebê-lo. Este olhar se adquire na comunidade.
A comunidade é o próprio Jesus continuando a missão que o Pai lhe deu: “Como o Pai me enviou, assim envio vocês!” (Jo 20,21). “Vocês são a carta de Cristo!” (2Cor 3,3). O que importa não é saber a hora da volta de Jesus no fim dos tempos, mas sim continuar anunciando a Boa Nova de Deus até que ele volte! A pequena comunidade deve ser Luz das Nações, realizando sua missão junto aos pequeninos e fazendo com que outras pessoas se tornem também discípulas de Jesus.
Extraído do livro Atos dos Apóslotos: Olhar no espelho das primeiras comunidades. Faça seu pedido: vendas@cebi.org.br
Por volta dos anos 80, muitas comunidades estavam cansadas e tinham uma certa impaciência. Elas se perguntavam: “Será que Jesus vai voltar?” Pois Jesus tinha prometido voltar logo, mas até aquele momento ainda não tinha vindo! Daí a pergunta: “Vem ou não vem?” É também a pergunta de muita gente hoje: quando vai ser o fim do mundo? Quando é que Jesus vai voltar?
Atos 1,7-8: A resposta de Jesus que vale até hoje
As últimas palavras de Jesus aqui na terra trazem a resposta que vai servir de rumo para os cristãos de todos os tempos. Também para nós! Jesus diz: Não cabe a vocês conhecer os tempos e as datas que o Pai reservou à sua própria autoridade! Mas o Espírito Santo descerá sobre vocês e dele receberão força para serem as minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria e até os extremos da terra! Em vez de querer penetrar no segredo de Deus, os cristãos devem deixar-se penetrar pelo Espírito de Deus para que possam ser testemunhas de Jesus. Em vez de ficar olhando para a volta de Jesus no fim dos tempos, a pessoa cristã deve estar atento à volta de Jesus através do Espírito no dia-a-dia da sua vida. O resto, a gente deve deixar por conta do Pai que tem a história em suas mãos.
Em outras palavras, a resposta que Lucas dá às comunidades dos anos 80 é esta: Jesus já voltou no dia de Pentecostes e, agora, ele está presente na comunidade! A comunidade é o próprio Jesus continuando a missão que o Pai lhe deu: “Como o Pai me enviou, assim envio vocês!” (Jo 20,21). “Vocês são a carta de Cristo!” (2Cor 3,3). O que importa não é saber a hora da volta de Jesus no fim dos tempos, mas sim continuar anunciando a Boa Nova de Deus até que ele volte!
Nesta resposta de Jesus, Lucas dá também o esquema do livro dos Atos: dar testemunho de Jesus em Jerusalém (At 2 a 7), em toda a Judéia e Samaria (At 8 a 15), até os confins do mundo (At 16-28).
Atos 1,9: Descrição da ascensão
Diz o texto: Jesus foi elevado à vista deles e uma nuvem o ocultou a seus olhos. Desta frase vem o que até hoje repetimos no Credo: “Subiu ao céu, onde está sentado à direita de Deus Pai”. A nuvem é um símbolo da presença de Deus. Ela acompanhava o povo no deserto, depois da saída do Egito (Ex 13,21-22; 40,36-38). E quando Salomão inaugurou o Templo, ela encheu o Santo dos Santos para significar que Deus tinha tomado posse (1Rs 8,10-13). Dizendo que uma nuvem ocultou Jesus aos olhos dos discípulos e das discípulas, Lucas afirma que Jesus entrou no mundo de Deus para poder estar sempre conosco. De junto de Deus, ele nos envia o dom do Espírito Santo, a cada momento. Por isso, podemos dizer e gritar durante as nossas celebrações: Ele está no meio de nós!
Atos 1,10-11: O recado dos mensageiros
Depois que Jesus desapareceu, os discípulos e as discípulas ficaram aí, parados, olhando para o céu. Era o que, no tempo de Lucas, muita gente fazia. Ficavam olhando para o céu, esperando a volta de Jesus, e esqueciam de cumprir aqui na terra seu dever de serem testemunhas de Jesus (2Ts 3,11-12).
Neste momento, aparecem dois homens vestidos de branco. São mensageiros que transmitem ou esclarecem a mensagem de Deus que existe dentro dos fatos. Quando alguém faz isto, dizemos que ele ou ela é um anjo ou uma anja de Deus. A palavra anjo significa mensageiro. Os dois dão um recado que deve animar a caminhada das comunidades: “Tão certo como Jesus subiu para o céu e agora se encontra junto de Deus, tão certo ele voltará e se manifestará de novo, do mesmo modo como vocês o viram partir aqui”. Com esta certeza no coração, os cristãos devem continuar o anúncio da Boa Nova, sem se preocupar com a data e a hora da volta de Jesus (At 1,7; Mc 13,32).
Assim, Lucas adverte as comunidades dos anos 80 (e também as nossas de hoje), para que a demasiada preocupação com a vinda gloriosa de Jesus no fim dos tempos não as impeça de perceber que Jesus já estava aí no meio delas. Esta nova volta invisível mas real de Jesus se deu no dia de Pentecostes e nos muitos outros pentecostes que seguiram depois, até hoje: na Palavra, na Eucaristia, na Comunidade, nos acontecimentos, de tantas maneiras! É preciso ter o olhar de fé para poder percebê-lo. Este olhar se adquire na comunidade.
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